A opção: uma fábula sobre o livre comércio e protecionismo

By klebermen

Kleber Eduardo Men. 

Com toda esta celeuma criada pela queda do dólar, me veio na cabeça um livro que li ainda no primeiro ano do curso de história. O nome do livro é este que está no título do post. Este livro é uma obra que explica, de maneira bem didática e divertida, sem banalizar o assunto, a questão de alguns problemas que muitas pessoas acreditam que possa acontecer. Escrito pelo economista Russel D. Roberts, a obra é uma fábula, mostrando um pouco do pensamento do economista inglês, David Ricardo, que viveu entre os séculos, XVIII e XIX. A obra mais famosa de David Ricardo foi: “Princípios de economia política e tributação”, publicada originalmente em 1817.

A história, como já disse, é uma fábula. O livro inicia-se com o julgamento do economista David Ricardo, na corte celestial. Segundo esta corte, Ricardo está sendo acusado de quê, tudo que escreveu e sistematizou durante sua vida, eram coisas mentirosas e que não dariam certo. Segundo os “magistrados celestiais”, sua teoria econômica de vantagem comparativa, exposta em seu livro, princípios de economia política e tributação, eram verdadeiras falácias, devendo ele ser punido por propagar tal idéia. No entanto, em uma outra audiência, Ricardo pede aos magistrados uma chance de provar que ele estava certo. Ele teve essa concessão, e com isso, pôde voltar a terra e provar que estava certo. David Ricardo volta a terra na condição de espírito, e como tal, tinha o poder de ir e voltar no tempo e no espaço, da maneira que bem entendesse.

Ao chegar a terra, Ricardo encontra um empresário do setor de televisores norte americano, que estava prestes a subornar um senador para que este votasse a favor das cotas e tarifas aos televisores importados do Japão. David Ricardo, com seus poderes mágicos, que o espírito lhe permitia, mostra a este empresário, como a nação norte americana iria perder com tal medida.

Com inúmeros exemplos que esse livro trás, fica patente como o sistema de quotas e tarifas é nocivo para a população, de modo geral. No Brasil, com a queda acentuada do dólar, muitos empresários clamam para que o governo interfira e coloque barreiras aos produtos importados. Um exemplo citado no livro é o da indústria de televisores norte americana. O argumento que muitos usam, é para proteger a indústria nacional e com isso, o emprego de milhares de pessoa. Essa preocupação é correta, mas a forma de proteção está totalmente equivocada. Podemos perder empregos, mas certos tipos de empregos. Como o livro mostra as indústrias de televisores norte americana, fecharam as portas, perdendo espaço para a indústria japonesa, mas em contrapartida, a indústria farmacêutica norte americana, desenvolveu-se na mesma medida em que o setor de televisores japoneses. Com isso, os EUA passaram a trocar com o Japão, remédios em troca de televisores. Uma troca justíssima. Como afirma Adam Smith, “toda troca é justa”. Este é o caminho indireto para a riqueza.

Outro argumento tratado no livro é o da auto-suficiência. Ele coloca que a auto-suficiência é o caminho pra a pobreza. Usando exemplos da própria vida doméstica, Russel Roberts, na pessoa de David Ricardo, expõe a teoria, e prova como as coisas deram certo em países que não se iludiram com esses argumentos. Um exemplo é o Japão e Alemanha, no pós-guerra. Um exemplo de auto-suficiência que gosto de citar é o feudo. Um feudo era auto suficiente, mas mesmo assim, não conseguiu evitar o advento do capitalismo. Seria o mesmo que, no nosso momento de dificuldade, nos fechássemos em casa, tentando produzir tudo que precisamos, ao invés de comprar produtos feitos e mais baratos. Pra fazermos tal cálculo, é necessário pensar no tempo que várias atividades demandam. Comer um bolo ou a comida da mamãe é gostoso e aparentemente, mais barato, mas se colocarmos no papel, tudo que se foi gasto, principalmente o tempo, seria muito mais caro, pois o tempo é valioso.

Eu poderia escrever vários parágrafos sobre essa obra, mas lê-la é realmente insubstituível. Analisando profundamente, foi um dos maiores livro que li até hoje, e sem dúvidas, espero que outros amigos que estão entrando no curso de história estejam lendo. E desta forma, criando seres pensantes fora dos padrões conhecidos dos estudantes das áreas de humanas, com os olhos voltados mais para a realidade e menos para as ideologias.

5 Respostas para “A opção: uma fábula sobre o livre comércio e protecionismo”

  1. Vinícius Disse:

    Olha, não li esse livro, mas pelo jeito deve ser uma lavagem cerebral neoliberal. Não podemos comparar o Brasil com os EUA ou com o Japão. Nossas empresas não estão preparadas para tentar concorrência com os produtos importados. Devemos olhar esse assunto do dólar com mais carinho.

  2. RONALDO ALVES Disse:

    KLEBER, ACHO QUE VC DEVE REVER O QUE VC VEM ESCREVENDO EM SEU BLOG, TANTO OS COMENTARIOS POLITICOS, TANTO ESTE COPIA/COLA QUE VC FAZ. SEI QUE VC É UM FUTURO HISTORIADOR, MAS PARA COMENTAR POLITICA PELO MENOS PARA NÓS LEIGOS NÃO É NESCESSARIO BUSCAR CITAÇÕES DE LIVROS E PUBLICAÇÕES DA WEB, POIS MESMO QUE VOCE PROVE E COMPROVE FATOS, NAO MUDARÁ NADA NAS OPNIÕES QUE TEMOS FORMADAS. TÃO NEOLIBERAL QUE VOCE SE DIZ, NEM PARECE QUE VOCE AJUDOU NA CAMPANHA DOS PARTIDO DOS TRABALHADORES NA ULTIMA ELEIÇÃO MUNICIPAL. SABE QUANDO VOCE CRITICA O PARTIDO DOS TRABALHADORES QUE ELES SÃO IGUAIS A OUTROS PARTIDOS POLITICOS. É QUE O PT CRESCEU TANTO COM A CONQUISTA DA PRESIDECIA DA REPUBLICA, QUE NÃO TEVE COMO CONTER A ENTRADA DE NEO LIBERAIS COMO VC NO PARTIDO. ENTAO O PT NÃO É IGUAL OS OUTROS PARTIDOS COMO VC MESMO DIZ, ELE ESTA IGUAL AOS OUTROS PARTIDOS, É BEM DIFERENTE. VC COMO ACADEMICO DEVE SABER QUE “É” VEM DO VERBO “SER”, E “ESTA” VEM DO VERBO “ESTAR”. ABRAÇOS AMIGÃO

  3. klebermen Disse:

    Olá Ronaldo!
    Quanto tempo!?
    Olha companheiro, fico feliz pelos seus comentários. Acho que esse debate é muito importante numa democracia. Democracia esta, que seu partido não defende, pois até controlar o que vemos na TV ele quer. Se me chamar de NEOLIBERAL, pra vc é estar me ofendendo, digo a você pra mudar o xingamento, pois isso pra mim é um elogio. Mas por favor, não diga que eu copio e colo meus comentários, por favor, ai você me substima. Leio sobre tudo que escrevo. Isso sim é me xingar. Grande abraço!!! Obrigado pelos elogios.

  4. Douglas Carneiro Disse:

    Caro Kleber assim como você também sou um historiador e pude reler o livro a Opção. Após uma breve análise de fato Roberts escreve muito bem, porém não creio que seja possível realmente fazer uma comparação entre o livre comércio e o protecionismo. Quando ele se utiliza para falar sobre o livre comércio ele expõe bem o seu ponto de vista mas quando coloca o protecionismo sinto que houve falhas na análise dele. Pois ele trabalhou com uma possibilidade e não uma realidade em que vivemos. Isso também engloba pelo fato dele não ser um historiador. Abraços

  5. Carlos Disse:

    Caro colega, estou no primeiro ano de história e essa obra é, com certeza, de importância fundamental para a melhor formação de um profissional. No nosso curso de história econômica, o professor utilizou esse livro (assim como acho válido ler As Seis Lições de von Mises e O Manual do Perfeito Idiota Latino Americano), e as discussões comprovam que o livre mercado é a fonte de riqueza dos países desenvolvidos. O intervencionismo e planificação econômica já provaram que não funcionam.

    Abraço.

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