Se alguém me perguntar, qual foi o dia que mais marcou a minha vida, não saberei dizer certamente o de maior impacto, mas o dia 3 de março de 1996, estará entre eles. Me lembro bem, eu trabalhava na Rádio Cultura de Rolândia e tinha apenas 13 anos de idade. Naquela época, eu trabalhava no horário das 05:00 da manhã às 10:00 hrs. Cheguei na emissora por volta das 4:00, foi quando liguei a televisão pra ver se havia algo de interessante pra passar. Antes, porém, fui ao bar do seu Marcelo pegar um café, foi quando eu tive umas das piores notícias da minha vida. O seu Marcelo havia me dito que a banda que eu mais gostava, havia caído de avião e que não restavam sobreviventes, essa banda era os Mamonas Assassinas.
Voltei pra emissora muito abalado. Fiquei com os olhos grudados na tela e quando a vinheta do plantão da globo entrou no ar, meu corpo estremeceu. Meus olhos começaram a verter lágrimas. A notícia era a mesma do bar, os Mamonas Assassinas haviam sido mortos tragicamente.
Não me controlei e comecei a chorar. Eu, com apenas 13 anos, era super fã dessa maravilhosa banda. Devo minha carreira artística a eles. Quando eu os ouvi pela primeira vez, tive uma sensação comparada de quando ouvi tocar The Beatles. Não demorou muito eu já sabia cantar e imitar todas as músicas do fabuloso quinteto.
Comecei a trabalhar naquela manhã de domingo com muita tristeza em meu coração. Uma sensação de melancolia tomava conta de mim. Os 5 jovens, Dinho, Bento Hinoto, Julio Rasec, Sérgio e Samuel Reoli, encantavam todas as pessoas que os ouviam. Sua letras debochadas foi uma quebra de paradigma na produção musical brasileira.
Lembro-me que naquele dia, um domingo, eu iria almoçar na casa dos meus tios em São Martinho, quando tomei o ônibus, vi uma amiga me acenando da janela com os olhos vermelhos de lágrimas. Dissera ela pouco tempo depois, que havia entristecido, pois tinha uma lembrança minha em sua cabeça: o dia do aniversário do seu pai que eu e mais alguns amigos ficamos cantando as músicas deles para o pessoal. A data era dia 15 de dezembro de 1995. Dois anos antes, o Brasil também havia sofrido grande perda, a morte de um dos maiores ídolos do esporte, Airton Senna a Silva.
Fiquei o dia todo entristecido e quando cheguei em casa, os jornais não se falavam em outra coisa. Quando fui a escola na segunda-feira, todos da minha sala estavam acompanhando pela TV instalada no pátio, o drama do resgate dos corpos. Quase entramos em luto coletivo devido a tragédia. Todos os lugares que eu ia, me pediam para cantar suas músicas, pois eu, modéstia a parte, imitava-os perfeitamente. Devido a isso, recebi um convite de cantar numa banda e fiquei por lá uns 7 anos.
Portanto, fica aqui minha homenagem a essa fabulosa banda que embalou a adolescência de vários jovens e marcaram uma geração. Aos Mamonas Assassinas, aonde eles estiverem, vai aqui minha homenagem. Onze anos sem vocês, se passaram muito depressa e esse tempo ainda não foi – e não será – suficiente para apagá-los da nossa memória.
Mamonas Assassinas – Mundo Animal AO VIVO