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Governo Lula tenta reescrever a história do Brasil

Julho 2, 2007

Caros leitores, não sei se suportarei tamanha besteira desse governo até 2010. Eu que achava que pior não ficava, agora tenho de me deparar com doutrinação de crianças. Esse texto que coloco abaixo foi extraído do blog do Reinaldo Azevedo( www.reinaldoazevedo.com.br )  o qual extraiu do Estadão de domingo. Leiam, é muito, mas muito importante mesmo.

Cuidado! Proteja seus filhos: existe um “governo Lula para crianças”

O Estadão publicou, no caderno Aliás de domingo, um texto impressionante do historiador Marco Antonio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos. Villa pertence a um reduzidíssimo grupo — eu disse “grupo”, não “bando” — que tem idéias próprias, que não segue a cauda do “companheiro” que está na frente, a exemplo dos bois e das vacas do senador Renan Calheiros. E porque não formam um “bando”, eles não adotam a cartilha petista. Mas também não adotam nenhuma outra. A função de um intelectual é pensar, não fazer proselitismo partidário. Discordo dele às vezes, mas lhe reconheço a independência.

Villa resolveu passear no site da Presidência da República. Há lá uma área destinada às crianças. É a mistificação somada à ignorância em seu estado de arte. Lula gosta de seguir os passos da ditadura do Estado Novo, de Getúlio Vargas. Mas o DIP — Departamento de Imprensa e Propaganda — era, vejam só, menos grosseiro. Leiam o texto do professor.
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O site da Presidência da República é muito curioso. Ao abri-lo, o leitor verá um trem em alta velocidade, inclusive com som, simbolizando o PAC, isso quando há mais de meio século as ferrovias foram consideradas símbolos do atraso e as rodovias a essência da modernidade. Deixando isso de lado, vale a pena clicar no retângulo azul, no alto da página: “Versão para crianças”. Nele o leitor encontrará uma lista dos presidentes da República, de personalidades históricas, fará um passeio virtual (pobre, é verdade) pela sede do governo e ainda lerá um vocabulário, chamado abc.

A lista dos presidentes é muito estranha. Primeiro, na versão para crianças, as fotos foram ‘rejuvenescidas’, ou seja, o retrato de cada presidente ficou em forma de caricatura e com vários anos a menos, não necessitando, como o atual presidente, de periódicas aplicações de botox. Segundo, não é possível entender por que lá estão presentes as Juntas Militares de 1930 e 1969, que somente ocuparam interinamente a Presidência. E mais: lá está Júlio Prestes, o candidato vencedor das eleições de 1930, mas que não assumiu o cargo, pois um mês antes (outubro) começou a Revolução que levou Getúlio Vargas ao poder.

Quando a criança, para usar o linguajar do pecuarista Renan Calheiros, clicar no “leia mais”, encontrará as fotos dos presidentes. A de Lula, estranhamente, é a única colorida. Todas as outras são em preto e branco e algumas delas mostram informalmente os presidentes.

As biografias de vários presidentes foram redigidas de forma crítica, especialmente os do regime militar. Mas a biografia de Lula, a mais longa, é só recheada de elogios. E ainda há um link para quem quiser também conhecer a palpitante história da primeira-dama. De acordo com a hagiografia, em 1975, Lula “deu uma nova direção ao movimento sindical brasileiro”. As célebres greves de 1968, em Osasco e Contagem, não devem ter ocorrido: “Em maio de 1978, aconteceu a primeira greve de operários metalúrgicos desde 1964, em São Bernardo do Campo, sob a liderança de Luiz Inácio da Silva, Lula” (esta passagem está na biografia reservada a Ernesto Geisel). Em 1979, ele “começou a pensar na criação de um partido”. Cita a prisão, mas omite a generosa aposentadoria que recebe há anos. Ele, sempre ele, “liderou uma mobilização nacional contra a corrupção que acabou no impeachment, processo que afastou Fernando Collor da presidência”. (Não se sabe se isto será mantido, pois hoje Fernando Collor faz parte da base governamental no Senado e foi recebido de forma efusiva, recentemente, no Palácio do Planalto.)

A biografia de Lula é tão importante que “invadiu” a de outros presidentes: Ernesto Geisel, João Figueiredo, José Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Como se ele fosse um personagem onipresente na história do Brasil dos últimos 30 anos. Ficamos sabendo, na biografia de Lula, claro, que a sua posse “reuniu pela primeira vez na história do país, uma multidão de 150 mil pessoas”.

Depois dessa overdose de Lula, a criança passa para o segundo item: o ABC. É um vocabulário para ensinar o dia-a-dia do governo. Das 26 letras, seis não mereceram nenhuma entrada, algumas até justificáveis (w, k, y). Infelizmente o vocabulário está recheado de erros e aqui serão expostos somente alguns deles. A letra j apresenta uma curiosa definição da palavra justiça, até explicável frente à conjuntura que vivemos: “Antigamente, era função da lei definir o justo e o injusto. Assim, o permitido por lei seria justo. E o que a lei proibisse, injusto. Mas, depois da ascensão do fascismo (Itália, 1922), esse conceito deixou de ser aceito. Os fascistas mostraram ao mundo que era possível criar uma sociedade injusta baseada em leis”. Convenhamos que a explicação é esdrúxula, revelando um absoluto desconhecimento histórico (entre outros, até sobre fascismo: somente em 1926 é que é possível dizer que a Itália é fascista) e uma pobreza analítica de fazer inveja a um senador do Conselho de Ética.

Depois de “explicar” fascismo para uma criança, o vocabulário na letra n resolveu apresentar o significado de Nação. Definiu Nação como um grupo que vive em determinado território, limitado por fronteiras, e que respeita as mesmas instituições (leis, governo) e deu como exemplo (?) os ianomâmi. Em seguida, ficamos sabendo que “o Brasil se tornou uma nação em 1822” (confundindo a noção de Estado e Nação), “quando o país ganhou a sua primeira Constituição.” Aí já é demais: a primeira Constituição é de 1824. Em tempo: não sei se é um ato falho, mas o tema das constituições não é o forte do redator. Ele diz, na introdução da galeria dos presidentes, que a Constituição de 1891 adotou o voto secreto, o que também não é correto (o artigo 47 fala em sufrágio direto).

Mas é na letra p que há o maior número de barbaridades. Logo ficamos sabendo que “o presidente da república é o chefe do Executivo e escolhe quem vai chefiar o Judiciário.” (??!!) Evidentemente que está absolutamente errado: a escolha do presidente do STF é prerrogativa dos 11 ministros que compõem aquela Corte. Na frase posterior, a criança é informada que o “presidente da Câmara dos Deputados é o chefe do Legislativo”. Presume-se que o verbete queria informar sobre o presidente do Congresso Nacional, ou seja, o presidente do Senado Federal. O verbete termina dizendo que os “representantes do povo são eleitos por um período determinado, que pode variar de quatro a seis anos.” Mais uma informação incorreta, pois os senadores têm mandato de oito anos.

Ainda tem o link para as cerimônias. O site cita o hasteamento da bandeira e apresenta 10 fotos, das quais Lula está em seis; e também faz referência às cerimônias de posse, expondo nove fotos, todas de Lula. É como se na história da República somente ele tivesse sido o presidente que tomou posse. A criança, continuando neste passeio pela História do Brasil pelo método confuso, como já fez Mendes Fradique, pode acessar o link das personalidades históricas. Aí, recordando Sérgio Porto, é o samba do crioulo doido (e pior: teve a participação de historiadores). Na biografia de Duque de Caxias, a criança será informada de que ele participou do afastamento de D. Pedro II. O redator do verbete mais uma vez exagerou: Caxias morreu nove anos antes, em 1880, portanto não poderia ter participado, ao menos na forma corpórea, do 15 de novembro de 1889.

Como o governo Lula está preocupado com a educação política das crianças, o mais recomendável seria retirar do ar esse conjunto de desinformações. É um misto de aparelhamento do Estado, de culto da personalidade do presidente, de profundo desconhecimento básico da história do Brasil e de suas instituições: mantê-lo no ar é um desserviço. Em tempo: só para efeito de comparação, convido o leitor a visitar o site da Presidência da República francesa.

A censura: autor de biografia é punido

Maio 8, 2007

O historiador, jornalista e professor Paulo Cesar de Araújo, a cada dia que passa vem ganhando mais destaque na mídia. Motivo? Ele é o autor da biografia não autorizada de Roberto Carlos.

Araújo é o autor de um livro que tem o título “Eu não sou cachorro, não: música cafona e ditadura militar” . Neste livro, o autor fala dos cantores ditos “cafonas” que também foram perseguidos pela ditadura e mesmo assim, mandaram seu recado através de suas canções. Os assuntos abordados neste livro, são muito interessantes. Ele ressalta o valor artístico – que sempre foi negado pela maioria dos estudiosos – que esses cantores populares tiveram. O livro é muito bom, vale a pena ler. Eu já li essa obra no mínimo umas 5 veses.

Mas o que vem trazendo o nome de Paulo Cesar de Araújo à tona, sem dúvida alguma, é a censura que seu livro, “Roberto Carlos em Detalhes”, sofreu há um mês aproximadamente. Essa biografia não autorizada, lhe custou uma dor de cabeça na justiça, e, ainda por cima, viu a olho nu, a censura ser aplicada. Em entrevista concedidada ao site globo.com, Araújo chamou isso de “barbárie e assassinato cultural”. Paulo Cesar, acredita que Roberto Carlos nem chegou a ler o livro, e faz um apelo a Roberto, pedindo que leia – acreditando que se ele ler, mudará de idéia.

Isso me deixa indignado. Censura, nua e crua. Sou fã de Roberto Carlos, mas acho que ele agiu de maneira infantil. Um pessoa pública, como ele é, não pode criar certos tipos de atritos. Pedir pra censurar uma obra desse porte, soa ignorância. Araújo pediu para que Roberto Carlos escolhesse os trechos que não lhe agradava, para uma edição, mas mesmo assim, Roberto não cedeu. Minha adimiração por Roberto Carlos continua a mesma, em se tratando de suas canções, mas aquela humildade que eu achava que ele tinha, já não acredito que seja assim.

Escola sem Partido

Maio 3, 2007

Andei procurando por sites de educação e esse me chamou bem a atenção. O site chama-se “Escola sem Partido” e os amigos blogueiros que estiverem afim de dar uma olhadinha, aconselho. É um site de denúncias a abusos na educação. Abusos no sentido de doutrinarem estudantes, sejam eles de ensino médio, fundamental, primário e até universitários. Legal mesmo, mas até agora não possuo opinião formada sobre tal assunto. “Não sei se é bom, ou se é pior” como diz Wander Wildner, mas que vale a pena, sem dúvidas dar uma olhada. Principalmente para profissionais da área da educação e também para pais que sentem que seus filhos estão sendo, de uma forma ou de outra, doutrinados e não ensinados em suas escolas.

Egoísmo Racional

Maio 3, 2007

Um dos blogs que mais acesso, sem dúvida alguma, é do economista Rodrigo Constantino. Seus post, são de um conteúdo pragmático em relação a nossa sociedade. Dentre os assuntos abordados estão: filosofia, religião, economia, história.

Constantino concedeu uma entrevista para o Café Colombo, no Fórum de Liberdade no Rio Grande do Sul. Sua entrevista aborda o tema principal de seu novo livro: “Egoísmo Racional – O individualismo de Ayn Rand”. Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas trata-se da introdução do pensamento da novelista e filósofa Ayn Rand no Brasil. Esta, segundo Constantino é uma ilustre desconhecida aqui no Brasil. Vale a pena conferir a entrevista. O link para ouvir a entrevista é esse aqui:

http://cafecolombo.com.br/2007/04/28/egoismo-e-individualismo-no-cafe-colombo-2/

Particularmente, achei a entrevista o máximo.

Resposta minha publicada Jornal O Diário de Maringá dia 27/04/07

Maio 3, 2007

Patrimônio Histórico: A Antiga Rodoviária.

O assunto tombamento da antiga rodoviária vem aumentando a ira de alguns maringaenses. Primeiramente gostaria de questionar a leitora Marlene Soares Valadarez, que na edição do dia 25/04, afirmou que 90% dos maringaenses são a favor da demolição do prédio. Pergunto: de onde a leitora tirou esses dados? Qual empresa realizou essa pesquisa? Temos que preservar nosso patrimônio histórico, para que sirva de exemplo para as gerações futuras. Precisamos formar uma identidade, pois Maringá é muito jovem. Claude Lévi Strauss afirma que “as cidades vão do frescor a decrepitude, sem se tornarem antigas”. É o que está acontecendo com Maringá. Precisamos sim preservar nosso passado e conscientizar os jovens de que isso é necessário. Através de conceitos de cidadania e educação, podemos construir uma civilização adequada à modernidade. Preservar nosso passado faz parte disso. Valorizar nossa cidade, não significa por tudo no chão e construir novamente.

Eterna Lembrança

Março 3, 2007

Se alguém me perguntar, qual foi o dia que mais marcou a minha vida, não saberei dizer certamente o de maior impacto, mas o dia 3 de março de 1996, estará entre eles. Me lembro bem, eu trabalhava na Rádio Cultura de Rolândia e tinha apenas 13 anos de idade. Naquela época, eu trabalhava no horário das 05:00 da manhã às 10:00 hrs. Cheguei na emissora por volta das 4:00, foi quando liguei a televisão pra ver se havia algo de interessante pra passar. Antes, porém, fui ao bar do seu Marcelo pegar um café, foi quando eu tive umas das piores notícias da minha vida. O seu Marcelo havia me dito que a banda que eu mais gostava, havia caído de avião e que não restavam sobreviventes, essa banda era os Mamonas Assassinas.

Voltei pra emissora muito abalado. Fiquei com os olhos grudados na tela e quando a vinheta do plantão da globo entrou no ar, meu corpo estremeceu. Meus olhos começaram a verter lágrimas. A notícia era a mesma do bar, os Mamonas Assassinas haviam sido mortos tragicamente.

Não me controlei e comecei a chorar. Eu, com apenas 13 anos, era super fã dessa maravilhosa banda. Devo minha carreira artística a eles. Quando eu os ouvi pela primeira vez, tive uma sensação comparada de quando ouvi tocar The Beatles. Não demorou muito eu já sabia cantar e imitar todas as músicas do fabuloso quinteto.

Comecei a trabalhar naquela manhã de domingo com muita tristeza em meu coração. Uma sensação de melancolia tomava conta de mim. Os 5 jovens, Dinho, Bento Hinoto, Julio Rasec, Sérgio e Samuel Reoli, encantavam todas as pessoas que os ouviam. Sua letras debochadas foi uma quebra de paradigma na produção musical brasileira.

Lembro-me que naquele dia, um domingo, eu iria almoçar na casa dos meus tios em São Martinho, quando tomei o ônibus, vi uma amiga me acenando da janela com os olhos vermelhos de lágrimas. Dissera ela pouco tempo depois, que havia entristecido, pois tinha uma lembrança minha em sua cabeça: o dia do aniversário do seu pai que eu e mais alguns amigos ficamos cantando as músicas deles para o pessoal. A data era dia 15 de dezembro de 1995. Dois anos antes, o Brasil também havia sofrido grande perda, a morte de um dos maiores ídolos do esporte, Airton Senna a Silva.

Fiquei o dia todo entristecido e quando cheguei em casa, os jornais não se falavam em outra coisa. Quando fui a escola na segunda-feira, todos da minha sala estavam acompanhando pela TV instalada no pátio, o drama do resgate dos corpos. Quase entramos em luto coletivo devido a tragédia. Todos os lugares que eu ia, me pediam para cantar suas músicas, pois eu, modéstia a parte, imitava-os perfeitamente. Devido a isso, recebi um convite de cantar numa banda e fiquei por lá uns 7 anos.

Portanto, fica aqui minha homenagem a essa fabulosa banda que embalou a adolescência de vários jovens e marcaram uma geração. Aos Mamonas Assassinas, aonde eles estiverem, vai aqui minha homenagem. Onze anos sem vocês, se passaram muito depressa e esse tempo ainda não foi – e não será – suficiente para apagá-los da nossa memória.

Mamonas Assassinas – Mundo Animal AO VIVO